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IRRADIAÇÃO DE ALIMENTOS

Segurança alimentar em tempos de

mudanças climáticas

A produção de alimentos é altamente vulnerável a fenômenos meteorológicos extremos, de forma que as mudanças climáticas impactam diretamente a segurança alimentar e nutricional. Projeções recentes indicam impactos negativos, como a redução da resiliência das plantas e da produtividade das culturas, o aumento de pragas e doenças, a inaptidão de locais para o cultivo e o risco de desastres e perdas

de colheitas, até mesmo a extinção de algumas espécies.


Segundo estudo realizado por pesquisadoras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), do ponto de vista socioeconômico são estimados impactos maiores nas famílias mais pobres, aumento da desigualdade e diminuição do PIB nacional. Também é esperada maior insegurança alimentar, por causa dos impactos na disponibilidade e nos preços dos alimentos.


De acordo com o pesquisador Alexandre Bryan Heinemann, da Unidade Arroz e Feijão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), até 2050, efeitos da crise climática podem levar a uma redução de até 60% na quantidade de água necessária para produzir arroz de terras altas em Goiás, Rondônia, Mato Grosso e Tocantins.


Ingredientes centrais no prato do brasileiro, os cultivos de arroz e feijão já

enfrentam desafios relacionados com o aumento da temperatura do planeta, maior concentração de gás carbônico na atmosfera, além da redução na quantidade de água disponível para irrigar plantações.


Café, feijão e arroz são os itens com maior consumo diário per capita no Brasil, de acordo com levantamento de 2020 do IBGE. Para atender à demanda local até 2050, a Embrapa constatou que a produção de feijão terá de crescer 44% – 1,5 milhão de toneladas a mais. Para piorar esse quadro, a área de plantio de arroz e feijão diminuiu mais de 30% de 2006 até 2022, conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, do IBGE.


Como se percebe, o desafio não é apenas aumentar a produção, mas evitar a

redução das áreas plantadas e a perda de produtividade. Ao mesmo tempo, o mundo enfrenta o desafio de conter a fome e o paradoxo do desperdício de alimentos. No Brasil não é diferente. O País não está mais no Mapa da Fome, segundo anunciou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU), em julho do ano passado. Mas persiste o desafio de alimentar uma população em crescimento e ainda contribuir com essa meta em outros países.


Em resumo, o quadro atual das mudanças climáticas e seus impactos sobre a

produção de alimentos já demonstram evidências claras da necessidade de elaboração de políticas públicas. Entre elas, está a “Irradiação de alimentos e frutas”, tema central desta 4ª edição do Seminário Múltiplas Aplicações da Energia Nuclear e das Radiações. A irradiação de alimentos consiste em uma técnica que expõe os produtos a doses controladas de radiação ionizante (como raios gama, raios X ou feixes de elétrons). O objetivo é eliminar bactérias e pragas, inibir o brotamento e retardar o amadurecimento, aumentando a validade e a segurança sanitária sem alterar o sabor ou valor nutricional.


Algumas iniciativas no sentido de criar um modelo de parceria similar a um

consórcio, unindo inicialmente fornecedores de frutas, atacadistas e exportadores já estão sendo discutidas por empresas brasileiras junto com grandes produtores e exportadores. O objetivo é implantar a irradiação de alimentos em grandes centros consumidores ou próximos a portos

de exportação.

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